Human Digitization

A Epicenter, um business center sueco de tecnologia, anunciou no início desta semana que vai colocar micro-chips em 150 dos seus colaboradores que se voluntariaram para o efeito. Segundo Patrick Mesterton, CEO e fundador, esta iniciativa irá facilitar a vida das pessoas.

Entre as vantagens, Mesterton indicou que os colaboradores vão poder ter acesso a diferentes zonas da empresa, usar a tecnologia disponível nos escritórios (como fotocopiadoras) ou pagar o almoço na cafeteira da empresa. Mas as vantagens não ficam por aqui. A vida vai-se tornar mais fácil porque os colaboradores da Epicenter vão ainda poder comprar bilhetes de avião ou ir ao ginásio, substituindo assim uma série de gadgets electrónicos, tais como cartões de crédito, chaves electrónicas ou outros do género. Outras aplicações são ainda possíveis, como guardar informações de contacto, interagir com aplicações dos smartphones ou guardar informações de acesso (como palavras-chave, PIN’s, etc.)

Mas esta tecnologia permitirá igualmente monitorar e registar uma quantidade incrível de dados, como intervalos e pausas no trabalho, o número de horas que cada colaborador trabalha, dados de saúde ou dados dos locais frequentados e de localização (como um GPS).

Já se sabe que a digitalização das empresas e dos negócios é uma realidade emergente. De tal forma que a McKinsey & Company refere num estudo recente que economia digital está ainda a dar os seus primeiros passos; na realidade, menos de 40% das empresas apresenta algum grau de digitalização. Na sequência deste estudo, a McKinsey & Company refere que “estratégias digitais arrojadas, firmemente integradas, serão o que distinguirá as empresas ganhadoras, e os maiores retornos irão para aquelas que iniciarem disrupções digitais”. A consultora termina sugerindo que as empresas deverão actuar de forma decisiva quer na criação de negócios digitais, quer na digitalização de modelos de negócio existentes.

Mas “chipar” os colaboradores não é um exemplo de digitalização das empresas ou dos negócios. Este caso ilustra uma outra tendência, a digitalização do ser humano. Trata-se de fundir, à letra, a tecnologia e o ser humano. Expressões como compatibilização não são suficientes para adjectivar esta tendência, porque na realidade a tecnologia passa a ser parte integrante do ser humano.

Como todos os avanços científicos e novas aplicações técnicas e tecnológicas, também esta levanta questões e incertezas, alimentando discussões entre os pro-tech e os anti-tech. Questões do foro ético e da privacidade/liberdade são naturalmente relevantes quando estamos perante avanços tecnológicos disruptivos.

Nenhum avanço científico ou tecnologia resultante é inerentemente boa ou má. A utilização que o ser humano lhe dá é que pode ser boa ou má. Não é a tecnologia que define a sua própria aplicação, é o ser humano que, com as suas decisões, revela as suas intenções. Por isso, na realidade, nada mudou. Continuam a ser as escolhas do ser humano a determinar qual o caminho a seguir.

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